domingo, 27 de março de 2011

Review: Creedence Clearwater Revival - Cosmo's Factory

1970, a banda liderada pelo grande vocalista John Fogerty vivia freneticamente com seus shows. Não havia tempo para nada, tudo era instantâneo. Tudo, inclusive os álbuns, era feito às pressas. Era o Creedence Clearwater Revival, um grupo que juntava rock'n'roll, o country do Sul dos Estados Unidos e que tinha elementos que viriam mais tarde a formar o pop. Tinha um rock inovador, contagiante, dançante, que fugia do padrão da época. E com tudo isso era uma música simples e sem frescuras. Com toda essa pressa, a banda de algum modo conseguiu gravar seis grandes álbuns em apenas dois anos e meio. Cosmo's Factory foi o quinto, o mais vendido, o auge, o último antes da decadência iniciada em Pendulum, do mesmo ano. Foi um álbum que marcou a criatividade da banda em buscar grandes cancões de forma simples. Simplicidade que se torna clara na capa: esta é a Cosmo's Factory, a fábrica de músicas que funcionava como estúdio/depósito/escritório dos quatro integrantes. O álbum começa com o "country-pop-rock-de-sete-minutos" de "Ramble Tamble", que começa com uma introdução e um riff contagiantes, passando por alguns minutos dominados por uma guitarra mais lenta e voltando a um ritmo mais rápido. Provavelmente uma crítica: "They're selling independence, Actors in the White House, Acid in digestion, Mortgage on my life, Mortgage on my life." Seguindo, vem uma história de amor no blues "Before You Accuse Me", cover do grande cantor e guitarrista Bo Diddley. "Travellin' Band" é uma canção curta e grossa, um rock'n'roll puro com dois agitados minutos de duração. Então vem "Ooby Dooby", uma música bem divertida, originalmente de Roy Orbison. Com destaque para os vocais e os solos de guitarra de John e Tom Fogerty, respectivamente. "Lookin' Out My Back Door" é uma música pura, simples, sem "elementos pinkfloydianos", mas ao mesmo tempo é uma grande composição, que marca o álbum e prova que para se fazer sucesso não é necessário grandes invenções. Finalizando o Lado 1 do disco de vinil original, vem "Run Through The Jungle", uma canção mais sutil, porém digna de se tornar trilha sonora de filme. "Up Around The Bend" abre de forma espetacular o Lado 2. Figura entre as melhores composições da banda. A guitarra distorcida, comum na época, juntamente com as influências do "Sul" e a simplicidade, fazem uma grande música, para ficar para a história do rock'n'roll. "My Baby Left Me" é uma boa música, mas que não se destaca tanto. É onde John Fogerty descarrega todas as suas mágoas. Seguindo, "Who'll Stop The Rain" mostra um estilo diferente da banda, mais melódico. Uma bela canção, com belos acordes, que resultou no maior sucesso do álbum. "I Heard It Through The Grapevine" é uma música incrível, marcante. Seus longos onze minutos contam a história de um homem que descobriu de boca em boca que, em palavras simples, fora "chifrado", seguida de um fantástico jam de vários minutos. E, fechando com chave de ouro o álbum, a belíssima "Long As I Can See The Light" é uma canção ironicamente sobre despedida. Assim como em "Who'll Stop The Rain", a banda mostra um estilo diferente, que conta até mesmo com um solo de saxofone. Grande letra, grande melodia e harmonia, a escolha perfeita para terminar esse excelente álbum, que foi o maior sucesso do Creedence e que merece estar na coleção de qualquer fã de rock.

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